ISTO AQUI É PUNK
Música
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O primeiro elemento cultural punk desenvolvido foi a música. A
música punk desde suas origem até os dias de hoje passou por
diversas mudanças e sub-divisões, englobando características que
vão desde o pop rock irônico e politicamente indiferente, ao
ruidoso discurso político panfletário, entre outras
características. Apesar disso, nos diversos estilos de música punk
o caráter anti-social e/ou socialmente crítico é bastante
recorrente e a ausência destas características é vista por alguns
como justificativa para o não-reconhecimento de uma banda como
sendo do estilo punk. Estilos muito distintos do punk rock também
são desconsiderados com freqüência.
O estilo punk rock tradicional caracteriza-se pelo uso de poucos
acordes, em geral power chords,
solos
breves e simples (ou ausência de solos), música de curta duração e
letras rebeldes, sarcásticas que podem ser politizadas ou não, em
muitos casos uma manifestação de antipatia à cultura vigente. Estas
características não devem ser tomadas como uma definição geral de
punk rock, pois bandas e variações bem difundidas do gênero
apresentam características muitas vezes antagônicas a estas, como
por exemplo as músicas longas e complexas do Television (uma
banda de protopunk), o
experimentalismo cacofônico do Crass (uma banda mais
voltada ao ideologia punk anarquista), a tendência de
sociabilização das bandas de hardcore moderno e o discurso sério de
algumas bandas politizadas.
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Sub-gêneros
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As divergências éticas e
comportamentais ou o simples desenvolvimento de certos estilos
dentro e em harmonia com o punk criaram ao longo de sua história
vários sub-gêneros que vão desde a criação de filosofias de vida à
mera formação de um estilo
musical e de vestuário particulares.
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Jovem punk com cabelo moicano
A moda é, junto à música, o
aspecto cultural mais característico e evidente do punk. O termo
moda, no entanto, não é bem aceito pela maioria dos punks
e influenciados pela cultura punk pois é entendido estritamente
como modismo, aceitação social,
comércio e/ou mera aparência. Costuma-se empregar o termo
estilo, com o significado de "roupa como afirmação
pessoal" (apesar deste também ser um dos significados da palavra
moda), ou mais comumente ainda o termo
visual, utilizado em quase toda a cultura
alternativa brasileira, não somente no meio punk.
O estilo punk pode ser reconhecido pela combinação de alguns
elementos considerados típicos (alfinetes, patches,
lenços à mostra no bolso traseiro da calça, calças jeans rasgadas,
calças pretas justas, jaquetas de couro com rebites e mensagens
inscritas nas costas, coturnos, brincos, tênis converse,
correntes, corte de cabelo moicano,(colorido
ou espetado, etc) ou espetado por inteiro (dos lados, atrás e em
cima) e em alguns casos lapis ou sombra no olho, sendo esta
combinação aleatória ou de acordo com combinações comuns à certos
sub-gêneros punk, ou ainda o reconhecimento pode ser pelo uso de
uma aparência que seja desleixada, "artesanalmente" adaptada e que
carregue alguma sugestão ou similaridade com o punk sem
necessariamente utilizar os itens tradicionais do estilo.
A moda punk, em sua maioria, é deliberadamente contrastante com
a moda vigente e por vezes apresenta elementos contestadores ou
ofensivos aos valores aceitos socialmente —no entanto um
número considerável de punks e alguns sub-gêneros apresentam uma
aparência menos chamativa (por exemplo o estilo tradicional
hardcore).
Há também indivíduos intimamente ligados a esta cultura que não têm
nenhum interesse ou deliberadamente se recusam a desenvolver uma
aparência punk, em geral motivados pelas diversas críticas que a
moda punk recebeu durante sua história (veja o artigo principal:
moda punk).
As variações dos elementos das roupas punk e o surgimento de
ramificações de estilo estão associados, na maioria dos casos, ao
surgimento de novos sub-gêneros musicais, influências ideológicas e
de elementos de outras culturas que em determinados momentos
dividiam mesmo espaço com o punk. A idéia popularmente difundida e
equivocada de que todos os elementos do estereótipo punk foram
"planejados" cuidadosamente como simbolismo da ideologia libertária/anarquista
—por exemplo o coturno, originalmente trazido a cultura punk
por influência da cultura skinhead, que é
comumente e erroneamente justificado como símbolo de repúdio ao
Exército— é
com freqüência aceita entre novos punks que acabam desta forma
propagando e conseqüentemente agregando pouco-a-pouco um sentido
simbólico que não existia anteriormente à moda punk.
Enquanto o estilo punk desligado de um movimento costuma
utilizar com liberdade os elementos, combinando peças
intuitivamente e utilizando outros itens que não fazem parte do
estilo clássico, os membros dos diversos grupos do movimento punk
consideram fundamental algumas combinações tradicionais de
elementos, uma vez que elas identificam o grupo (e conseqüentemente
a ideologia) específico que o indivíduo pertence.
Em diversos países, incluindo o Brasil, a roupa é na
maioria das vezes o elemento que desencadeia as brigas de rua entre
gangues, membros de grupos divergentes do movimento punk e outros
movimentos que repudiam o punk. A combinação arbitrária de
elementos costuma não ser bem vista por punks de gangues e
sub-grupos do movimento pois é interpretada como uma demonstração
de ignorância sobre os costumes, a aparência e as ideologias punk
ou fruto de uma tentativa da cultura vigente se apropriar desse
estilo. Este desentendimento pode culminar no desprezo,
ridicularização ou hostilidade para com o indivíduo ou, nos casos
dos grupos violentos, na coerção, furto de peças e agressão.
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Comportamento
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Desde o seu início, a cultura punk teve ideias apartidárias e a
liberdade para acreditar ou não em um deus ou religião
qualquer. Porém, por causa do tempo de existência, seu caráter
cosmopolita e amplo, ocorreram distorções de todas as formas, em
diversos países, dando ao movimento punk uma cara parecida mas
totalmente particularizada em cada país.
Por se assemelhar em diversos aspectos com o anarquismo
(posteriormente, a principio o movimento punk era apolítico), punks
e anarquistas passaram a colaborar entre si e muitas vezes
participando das ações.
Passaram então a existir muitos punks que também eram realmente
anarquistas, e posteriormente surgiu o anarcopunk, este
ganhou um novo rumo com redirecionamento a uma nova militância
política, com discursos e ações mais ativas, opondo-se à mídia tradicional, ao
Estado, às instituições
religiosas e grandes corporações capitalistas.
Como a maior parte dos movimentos populares, o movimento punk
tem quase tantas nuances quanto o número de adeptos, mas em geral
sustentam valores como anti-machismo,
anti-homofobia,
anti-fascismo, amor livre,
antilideranças, liberdade individual, autodidatismo,
iconoclastia, e
cosmopolismo.
Existem outras vertentes do movimento como o streetpunk/oi!
caracterizado pelo relacionamento de punks e skinheads, ou o
straight edge que
se auto-denominam "livres de drogas" não fazendo uso de
nenhuma substância que altere o humor, incluindo o
álcool e a nicotina.
A outra vertente, talvez a mais tradicional e/ou original do
Brasil, são as gangues,
que estiveram presentes desde o começo deste movimento,
principalmente em São Paulo, onde
existem até hoje. São famosas pelo uso da violência e união de seus
integrantes, geralmente andam em grupos não tão numerosos. Chegam a
ser mais de 10 facções em São Paulo, sendo as principais só quatro
delas, que são originais do começo do movimento e talvez as mais
respeitadas.
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A estreita relação entre a música e a
ideologia punk
A música punk desde seu início foi marcado como um estilo
musical de contestação, seja como uma resposta musical ácida e
crítica aos rumos que a música rock havia tomado na época com o
rock
progressivo, ou de forma ideológica criticando opiniões
preconceituosas de músicos famosos de rock no final dos anos 70 e
início dos anos 80, como o apoio de algumas bandas de punk rock e
streetpunk ao rock
against racism.
O gosto por certas bandas e gêneros musicais é algumas vezes
interpretado como identificação de um indivíduo à uma certa postura
ideológica distinta dentro da cultura punk, como o niilismo, o anarquismo, a cultura
de rua, entre outras.
No Brasil, bandas podem ser repudiadas por grupos anarcopunks brasileiros, como
Vírus 27 e
Garotos Podres
pelas relações desses artistas com a cultura skinhead e careca, ou
como o Ratos de
Porão por ter o reconhecimento da mídia, enquanto estas mesmas
bandas podem ser bem aceitas e favoritas entre outros punks. Da
mesma forma que os outros elementos culturais, o porte de símbolos
por certas bandas comumente associadas a determinados grupos
ideológicos, muitas vezes desencadeiam a hostilidade e a violência
de adeptos de gangues e grupos do movimento punk com ideologia
contrária, fato esse muito comum nos grandes centros urbanos
brasileiros.
Em outros países, principalmente em países europeus, atualmente
há mais tolerância às diferenças musicais, ideológicas e culturais
distintas, como uma forma de se unir tendo as raizes musicais como
um elo em comum, contra grupos e indivíduos com posturas
ideologicas discriminatórias e opressoras como o nazismo e o
fascismo.
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Mídia punk
Alguns punks evitam relações com a mídia tradicional por
filosofia, e é bem comum que não seja de conhecimento público o
nome de escritores de zines - publicações
alternativas, poetas, artistas
plásticos, bandas, já que cada componente do seu grupo faz sua
própria mídia, através da propaganda, que consiste na publicação de
zines, promoção de eventos como palestras, gigs (expressão
idiomática inglesa que significa "show" ou "festival", utilizada na
cultura alternativa britânica e que foi adotada por alguns punks
brasileiros), passeatas, panfletagens e sistemas de
boletins-noticiários.
Essa característica do movimento punk acarreta problemas para os
seus integrantes que por algum motivo adquirem espaço na grande
mídia, como foi o caso do cantor e atualmente apresentador de
programa de televisão, o brasileiro João Gordo,
vocalista da banda Ratos de
Porão e considerado por muitos adeptos do movimento punk
brasileiro como traidor.
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Linha do tempo
